O Cruzeiro afirmou que o patrocínio recebido de umaempresa de apostas equivalia a quatro ou cinco folhas de pagamento de atletas efuncionários do clube. A informação foi apresentada nesta terça-feira (03),durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, que debate os impactos da medida provisória do governo federal que proibiu a atuação das casas de apostas no futebol brasileiro.
O advogado José Francisco Manssur, representante daSociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro, apresentou os argumentos doclube ao ministro Luiz Fux. A Raposa foi o único representante mineiro ouvido na audiência.
Segundo Manssur, a receita também contribuía para o financiamento do futebol feminino, que conquistou recentemente o título da Libertadores. O advogado evitou divulgar o valor exato do contrato para não expor as remunerações dos jogadores.
O clube tinha como principal patrocinadora a Betnacional,empresa do mesmo grupo da Betfair, antiga marca que estampava a camisa celeste.De acordo com Manssur, será difícil encontrar uma nova empresa capaz de oferecer valores semelhantes.
O representante afirmou que patrocinadores de outros setores não chegam a pagar nem metade do que as casas de apostas ofereciam aos clubes. A perda, segundo o Cruzeiro, ameaça especialmente o financiamento da equipe feminina, campeã continental no último sábado (31).
Durante a audiência, Manssur defendeu a regulamentação do mercado de apostas em vez da proibição. O advogado, que participou dos trabalhos de regulamentação das bets no Ministério da Fazenda em 2023,questionou a elaboração da medida provisória e afirmou que a Secretaria de Prêmios e Apostas não foi consultada antes da decisão.
Outro ponto levantado foi o pagamento de R$ 30 milhões feito pelas operadoras para obter autorização de funcionamento por cinco anos.Segundo o representante celeste, a nova regra encerra as licenças sem devolver os valores pagos, o que classificou como uma “medida confiscatória”.
O advogado também apontou uma possível desigualdade competitiva: enquanto os clubes brasileiros ficam impedidos de exibir marcas de apostas, equipes estrangeiras ainda podem atuar no país com esse tipo de publicidade.
O governo federal defende a proibição como forma de combater o endividamento e os problemas de saúde relacionados às apostas.Manssur reconheceu os impactos sociais do jogo, mas argumentou que a fiscalização seria mais eficaz do que o veto, diante do risco de crescimento das plataformas clandestinas.
A audiência pública, conduzida pelo ministro Luiz Fux,não teve votação ou decisão sobre a medida. O encontro reuniu representantes de clubes, empresas e órgãos públicos para apresentar argumentos que poderão subsidiar a análise das ações em tramitação no STF. A medida provisória também precisa passar pelo Congresso Nacional.


