A saída de Marcelo Paz do Corinthians, anunciada na terça-feira (20), foi resultado de uma combinação de fatores que enfraqueceram a posição do executivo de futebol nos bastidores do clube. A sequência de resultados negativos, as limitações para tomar decisões, os atritos internos e a pressão das torcidas organizadas contribuíram para o encerramento do trabalho.
Embora o comunicado oficial do Corinthians tenha informado que a decisão ocorreu em comum acordo com o presidente Osmar Stabile, reportagens publicadas nesta quarta-feira (21) apontam que o mandatário decidiu pelo desligamento do dirigente. O Lance! e o ge relataram que o desempenho esportivo e o aumento das cobranças tiveram peso na decisão.
Contratado em dezembro de 2025, Marcelo Paz chegou ao Parque São Jorge com a missão de organizar o departamento de futebol e montar um elenco competitivo em meio às dificuldades financeiras. Menos de dez meses depois, deixou o cargo em um dos momentos mais delicados da temporada alvinegra.
Um dos principais pontos de desgaste foi a dificuldade do executivo para conduzir determinadas decisões do futebol. Segundo apuração do Lance!, negociações encaminhadas por Paz não avançaram por falta de aval da presidência ou por restrições financeiras.
Entre os episódios citados estão as tratativas envolvendo o volante André, cuja possível transferência para o Milan não foi autorizada por Osmar Stabile, e as tentativas de contratar reforços como Alisson e Renê.
A condução das negociações para a renovação do contrato de Memphis Depay também gerou questionamentos internos. O processo teve mudanças de rumo, com o presidente chegando a sinalizar que o vínculo não seria renovado antes de voltar atrás.
As limitações não se restringiram ao mercado. O Corinthians enfrentou dificuldades para registrar jogadores por causa de punições relacionadas a dívidas, enquanto a falta de recursos reduziu as possibilidades de investimento.
Nesse cenário, a atuação de Marcelo Paz passou a ser questionada tanto pela capacidade de executar o planejamento esportivo quanto pelo espaço que tinha para tomar decisões.
Pressão da torcida aumentou
A pressão externa também teve influência no desfecho. Na semana anterior à saída, representantes da Gaviões da Fiel se reuniram com Osmar Stabile no Parque São Jorge e pediram mudanças no departamento de futebol, incluindo o desligamento de Marcelo Paz.
O movimento ocorreu em meio à insatisfação com os resultados e à preocupação com a possibilidade de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Segundo o ge, o executivo e pessoas próximas a ele também foram alvo de ameaças nas redes sociais. O ambiente de pressão aumentou o desgaste em torno da gestão do futebol.
A cobrança das arquibancadas, porém, não foi o único fator. As reportagens sobre os bastidores apontam que as divergências internas e os problemas esportivos já haviam enfraquecido a posição do dirigente antes da decisão final.
Outro ponto de tensão foi a relação com os jogadores. De acordo com o ge, parte do elenco considerava que Marcelo Paz deveria ter uma postura mais incisiva na defesa dos interesses dos atletas diante da presidência.
O Corinthians acumulou pendências financeiras relacionadas a salários, direitos de imagem e premiações. A expectativa de alguns jogadores era de que o executivo cobrasse soluções de maneira mais firme.
O episódio que antecedeu a saída envolveu justamente os pagamentos. Segundo o ge, Paz conversou por telefone com Osmar Stabile para questionar um novo atraso nos direitos de imagem. Depois, houve uma reunião no CT Joaquim Grava que terminou com o encerramento do vínculo.
O UOL também noticiou divergências entre o executivo e a área financeira do clube sobre a prioridade dos pagamentos e a condução de compromissos relacionados ao futebol.
O quadro deixou Marcelo Paz em uma posição delicada: era um dos principais interlocutores entre a diretoria e o elenco, mas enfrentava dificuldades para responder às demandas dos jogadores.
O desempenho dentro de campo foi outro componente decisivo. O Corinthians atravessou uma sequência negativa no Campeonato Brasileiro e passou a conviver com o risco de entrar na zona de rebaixamento.
A equipe havia sido eliminada da Copa do Brasil e da Libertadores e acumulava oito derrotas consecutivas no Brasileirão antes de empatar por 1 a 1 com o Vitória, na segunda-feira (19), interrompendo a série.
A crise aumentou a pressão sobre as decisões do departamento de futebol, incluindo a manutenção de Fernando Diniz em um período de resultados ruins e a contratação de Clarence Seedorf para assumir o comando técnico.
Conforme apuração do Lance!, a escolha de treinadores e a condução de mudanças no elenco também contribuíram para a perda de respaldo de Marcelo Paz nos bastidores.
Com a equipe ameaçada pelo rebaixamento e a diretoria pressionada por torcedores, o executivo perdeu espaço em um momento no qual o clube precisava de respostas imediatas.
Em comunicado oficial, o Corinthians afirmou que Marcelo Paz e Osmar Stabile decidiram, em comum acordo, encerrar o ciclo de trabalho do profissional no clube. A nota agradeceu pelos serviços prestados e desejou sucesso ao executivo na sequência da carreira.
As apurações publicadas por veículos esportivos, no entanto, indicam que a decisão de encerrar o vínculo partiu da presidência após o acúmulo de insatisfações.
Marcelo Paz deixa o Corinthians depois de dez meses de trabalho, período em que conviveu com restrições financeiras, problemas para registrar reforços, cobranças internas e uma crise esportiva que se agravou na reta final da temporada.


