O impacto financeiro de empresas de apostas esportivas no futebol brasileiro virou centro de debates após ações do governo federal. No caso do Cruzeiro, os valores recebidos por meio do patrocínio master representam menos de 10% do faturamento total registrado no último ano.
Os números do patrocínio
Atualmente, o clube mineiro possui vínculo com a Betnacional, que estampa a parte mais nobre da camisa celeste. O contrato garante uma quantia fixa de R$ 43 milhões por temporada. Considerando que a SAF encerrou 2025 com uma receita operacional líquida próxima de R$ 600 milhões, o patrocínio fixo equivale a apenas 7% desse montante total.
O acordo, vigente de janeiro de 2025 até o final de 2026, também inclui cláusulas de bônus que podem elevar os ganhos até R$ 60 milhões por ano. Mesmo com o valor máximo atingido, a porcentagem ficaria limitada a até 10% do faturamento da Raposa no período anterior. Em relação estritamente aos patrocínios levantados pelo clube em 2025, que somaram R$ 280 milhões, a quantia fixa da casa de apostas representa cerca de 15%.
Histórico da parceria
A relação comercial com marcas do setor começou em 2024, sob a gestão de Ronaldo Nazário na SAF, quando a Betfair ocupava o espaço principal da camisa. Posteriormente, a Flutter Entertainment, holding que administra ambas as marcas, optou pela transição estratégica para a Betnacional no fim de 2025.
Antes da entrada expressiva das empresas de apostas, o principal patrocinador da equipe profissional era o Supermercados BH, pertencente a Pedro Lourenço, atual dono e presidente do Cruzeiro. A rede varejista mantém apoio ao clube junto a outras marcas.
Novas regras federais
A discussão ganhou urgência após o anúncio de uma Medida Provisória pelo governo federal em 25 de setembro de 2026, determinando a proibição da publicidade, oferta e intermediação de apostas de quota fixa no país. A determinação prevê o bloqueio de sites e aplicativos a partir de 6 de outubro, com restrições imediatas para novos contratos de patrocínio e limite até 5 de outubro para campanhas já vigentes.
A mudança afeta diretamente diversos clubes da Série A que contavam com marcas de apostas em seus uniformes. Diante do cenário, a diretoria cruzeirense manifestou preocupação com a perda abrupta de receitas consideradas essenciais para a manutenção de estruturas, categorias de base, modalidades como o futebol feminino e projetos sociais.


