A Federação Norueguesa de Futebol (NFF) protocolou duas denúncias formais na FIFA direcionadas ao presidente da entidade, Gianni Infantino. Os documentos foram entregues nesta segunda-feira (5) ao Comitê de Ética e ao Comitê de Governança, Auditoria e Compliance (GACC), levantando questionamentos sobre procedimentos administrativos e de governança.
As medidas adotadas pela NFF, liderada por Lise Klaveness, concentram-se em três episódios específicos. O primeiro deles é a criação e a entrega do Prêmio da Paz da FIFA ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O segundo aborda a suspensão disciplinar do atacante americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026. Por fim, o terceiro ponto diz respeito ao projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a comercialização de parte de uma subsidiária comercial da organização para investidores externos.
No caso do Prêmio da Paz da FIFA, estabelecido em novembro de 2025 e concedido a Donald Trump no mês seguinte, a federação norueguesa pede esclarecimentos sobre a legalidade de sua concepção. O questionamento envolve se a criação do troféu e a seleção do vencedor respeitaram as atribuições do Conselho da FIFA, além de avaliar se as manifestações de apoio de Infantino ao líder americano violam preceitos de neutralidade e abuso de cargo.
A situação envolvendo Folarin Balogun remete a relatos de que o presidente dos Estados Unidos teria solicitado diretamente a Infantino a revisão de uma suspensão automática de uma partida imposta ao atleta após um confronto no Mundial de 2026. Embora o Comitê Disciplinar tenha suspendido a punição para que o jogador atuasse no compromisso seguinte, a NFF exige apuração sobre possíveis contatos internos, pressões externas e o respeito à independência dos órgãos disciplinares.
O terceiro eixo das denúncias trata do projeto FIFA Forward Enterprise, que planejava vender cerca de 20% de uma nova subsidiária da entidade a investidores externos. De acordo com a NFF, a iniciativa avançou com avaliações gerenciais, termos de compromisso e captação de recursos sem a devida deliberação do Conselho da FIFA. O plano acabou revogado em 31 de julho de 2026 após forte oposição institucional de entidades como UEFA, Concacaf e AFC.
Tramitação e próximos passos
Os dois mecanismos acionados possuem escopos distintos: o Comitê de Ética examinará a responsabilidade individual de Infantino e de outros envolvidos, enquanto o GACC focará na supervisão financeira, governança e controles internos. A NFF solicita celeridade nas apurações, tendo em vista o próximo Conselho agendado para 15 de outubro em Zurique, na Suíça, e a eleição presidencial da FIFA marcada para 18 de março de 2027.


