A jogadora Tiffany Abreu, atleta do Osasco, manifestou forte indignação contra a nova diretriz da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que restringe a participação de atletas trans. A normativa impede sua atuação na Superliga, gerando forte repercussão no cenário esportivo nacional.
Presente no evento de lançamento da competição, realizado nesta quinta-feira (1º) na COB Expo, em São Paulo, a oposta criticou duramente a ausência de diálogo por parte da entidade. Segundo a atleta, nem ela nem seu clube foram avisados previamente sobre o veto, introduzido em agosto.
Durante o evento, Tiffany destacou que mantém tratativas diárias na tentativa de obter liberação para disputar o torneio, cujo início está previsto para a segunda quinzena de outubro. No entanto, ela lamentou a forma como a situação foi conduzida pela confederação.
"Fomos pegos de surpresa. Isso machucou bastante", declarou a atleta, ressaltando que tenta manter o foco nos treinamentos diários em meio às dificuldades impostas no decorrer da temporada.
A jogadora também rechaçou qualquer tratamento que a coloque à margem da legalidade esportiva, enfatizando sua trajetória como fonte de inspiração. "Parece que eu sou uma bandida. Eu não sou uma bandida. Sou uma atleta que inspira muitas pessoas e mereço estar jogando nas quadras, que é o meu lugar", afirmou.
Apesar do momento adverso, Tiffany pontuou que prefere não nutrir rancor, embora reconheça um sentimento de forte rejeição por parte dos dirigentes. Para ela, faltou sensibilidade humana na formulação da diretriz.
"Sinto um desprezo, uma falta de empatia muito grande. A empatia, infelizmente, está faltando nas pessoas que comandam o esporte e estão vindo com uma política transfóbica", pontuou, defendendo que o ideal seria criar novos caminhos em vez de banir atletas.
Apesar da proibição na Superliga, Tiffany segue atuando pelo Campeonato Paulista e participou recentemente da Brasil Vôlei Cup, torneio amistoso que contou com a presença do Gerdau Minas.
A medida adotada pela CBV reflete diretrizes estabelecidas em março de 2026 pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).
De acordo com Radamés Lattari, presidente da CBV, a alteração busca equiparar os campeonatos nacionais aos parâmetros adotados no âmbito internacional, respondendo a exigências de responsabilidade institucional.
A política passa a valer para competições como a Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 e CBVP Challenger 2027.
