Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) colocou o Fluminense e o Flamengo no centro de uma apuração sobre a emissão e o controle de ingressos no estádio do Maracanã. Documentos e planilhas analisados pelas autoridades apontam indícios de comercialização ou oferta de bilhetes acima dos limites estabelecidos para determinados setores do local.
Detalhes da investigação do Ministério Público
O inquérito avalia se a suposta emissão de entradas extras pode ter ficado de fora dos borderôs oficiais das partidas. Com base nesse cenário, o cálculo preliminar levantado pelas autoridades estima a suspeita de um possível desvio que chegaria a aproximadamente R$ 1 milhão por mês. Contudo, trata-se de uma fase investigativa, sem conclusões definitivas ou comprovação de desvio de verbas até o momento.
De acordo com os dados veiculados pelo jornal O Globo, ao menos 16 confrontos foram escrutinados, sendo 12 do Flamengo e cinco do Fluminense, contabilizando um clássico Fla-Flu que integra ambos os levantamentos.
Análise das partidas do Fluminense e do Flamengo
No tocante aos jogos do Fluminense, a apuração identificou indícios de oferta de bilhetes acima da carga permitida. Apesar disso, nenhuma das cinco partidas avaliadas apresentou público real superior à capacidade autorizada, seja por setor ou na contagem geral do estádio.
A investigação também pontuou que o setor oeste inferior permaneceu fechado nesses compromissos, ressaltando que as normas não autorizariam o uso do fechamento de uma área para compensar superlotações em outros locais.
Em contrapartida, os 12 duelos do Flamengo apontaram vendas acima do limite regulamentar e, em metade deles, o público presente teria superado a atual capacidade total oficial do Maracanã, fixada em 73.609 pessoas.
Apuração sobre borderôs e segurança
O inquérito busca esclarecer inconsistências nos registros das partidas. No setor norte, jogos registraram cerca de 23,4 mil pessoas, superando em aproximadamente 2,1 mil a marca de 21,3 mil prevista no laudo da Polícia Militar. Os investigadores também analisam a disponibilização de cerca de 2 mil entradas extras para sócios-torcedores compensada pela retirada de carga de outros setores, movimentação que supostamente não constava nos borderôs.
Além do aspecto financeiro, o caso levanta preocupações operacionais e de segurança, uma vez que eventuais divergências nas planilhas poderiam impactar o planejamento do efetivo policial necessário para os eventos.
Posicionamento do Fluminense
Procurado para comentar o caso, o Fluminense refutou veementemente qualquer irregularidade, declarando que não comercializa bilhetes acima da carga autorizada em nenhuma área do Maracanã. Internamente, o clube pondera a hipótese de falhas pontuais na emissão de entradas em momentos específicos, embora destaque a dificuldade histórica para esgotar completamente a carga dos setores.
