Um estudo recente sobre a minutagem no Campeonato Brasileiro revelou uma discrepância expressiva na utilização de atletas estrangeiros em comparação aos jogadores nacionais com até 23 anos. O levantamento, conduzido pela Press FC e focado nas rodadas 29 e 30 da Série A, colocou em evidência o espaço ocupado por cada grupo no torneio.
De acordo com os dados coletados, os estrangeiros acumularam 10.394 minutos em campo somando os dois fins de semana analisados. Em contrapartida, os atletas brasileiros sub-23 registraram 4.944 minutos, totalizando menos da metade do tempo concedido aos estrangeiros.
Na 29ª rodada, os atletas internacionais somaram 5.016 minutos e contaram com 85 jogadores acionados, sendo 56 titulares. No mesmo período, os jovens brasileiros registraram 2.459 minutos, com 42 atletas utilizados, dos quais 26 começaram entre os titulares.
A tendência se manteve na 30ª rodada. Os estrangeiros ampliaram sua participação para 5.378 minutos, com 88 jogadores utilizados e 65 titulares. Já os jovens nacionais somaram 2.485 minutos, com 39 atletas acionados e 28 escalados no time inicial.
A distribuição dos atletas variou entre as equipes da elite nacional. Na 29ª rodada, o Athletico-PR destacou-se no uso de jovens ao escalar seis atletas sub-23, enquanto Grêmio e Vasco lideraram a presença de estrangeiros. Na rodada seguinte, Flamengo, Vasco e Palmeiras encabeçaram a lista de utilização de atletas internacionais, com oito cada, ao passo que Cruzeiro e Athletico-PR lideraram entre os sub-23, com cinco jogadores cada.
O cenário ganha relevância diante da decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de reduzir gradualmente o limite de estrangeiros relacionados por partida. A partir de 2027, o teto passará de nove para oito atletas, com novas reduções programadas até alcançar o limite de cinco jogadores em 2030.
Um estudo anterior divulgado pela própria entidade em setembro de 2026 apontou que a participação de brasileiros sub-23 na minutagem do Brasileirão caiu de 28,3% em 2020 para 11,5% em 2026, enquanto os estrangeiros com mais de 23 anos avançaram de 7,8% para 25% no mesmo intervalo.


