A chegada de Paulinho ao Cruzeiro, oficializada na Toca da Raposa 2, marca uma transição importante no modelo de gestão do clube mineiro. Durante a apresentação, o presidente Pedro Lourenço destacou que o ex-jogador assume um papel técnico fundamentado em seu entendimento de futebol, e não uma função de fachada.
Com essa movimentação, a diretoria cruzeirense adota uma estrutura organizacional alinhada aos padrões de grandes potências do futebol europeu. A ideia é separar as responsabilidades administrativas e financeiras daquelas voltadas estritamente para o ambiente de jogo e relacionamento com o vestiário.
Historicamente marcado por cartolas centralizadores, o Cruzeiro optou por dividir o comando do departamento de futebol em duas frentes independentes que respondem diretamente à presidência:
• Bruno Spindel: encarregado da gestão e dos processos, aplicando sua experiência em rigor orçamentário e governança adquirida em sua passagem pelo Flamengo.
• Paulinho: focado no futebol e no vestiário, atuando no diálogo com a comissão técnica, monitoramento de atletas e análise de desempenho com base em sua vivência de campo.
Esse formato de divisão entre executivos de negócios e gestores de campo é amplamente utilizado por clubes europeus de expressão, a exemplo do Benfica (com Rui Costa), Paris Saint-Germain (com Leonardo), Juventus (com Pavel Nedvěd), Bayern de Munique (com Hasan Salihamidžić), Milan (com Paolo Maldini) e Manchester City (com Txiki Begiristain).
Antes de aceitar o cargo no Cruzeiro, Paulinho passou por um período de capacitação acadêmica iniciado em 2021, que incluiu cursos da CBF. Na prática, o ex-volante acumulou quase dois anos de experiência na diretoria do Mirassol, onde participou da consolidação da equipe nacionalmente e lidou com a gestão de recursos otimizados e controle de crises longe dos holofotes dos grandes centros.
A chegada do novo dirigente busca oferecer ao Cruzeiro um intermediário capacitado para compreender as demandas emocionais do elenco ao longo de uma temporada extensa, equilibrando o rigor financeiro de Bruno Spindel com a sensibilidade técnica do futebol.
