A adaptação dos clubes brasileiros às novas regras para patrocínios de casas de apostas reacende o debate sobre como o mercado esportivo internacional lida com restrições semelhantes. No Brasil, com a publicação da Medida Provisória que proíbe a atuação dessas empresas, as equipes têm até o dia 5 de outubro para remover as marcas dos uniformes e de peças publicitárias, embora o texto ainda dependa de análise pelo Congresso Nacional.
A situação não é inédita no futebol mundial. Na Inglaterra, a Premier League definiu que os clubes deverão abolir os patrocínios de bets na parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/2027. Antes da medida, 11 dos 20 times da competição contavam com esse tipo de parceria. Com a transição, o setor financeiro assumiu a liderança como o maior ocupante do espaço máster, seguido por empresas de turismo, seguros, recrutamento e tecnologia.
Na Itália, legislações restritivas proíbem o patrocínio direto de casas de apostas desde 2018. Para driblar o veto sem descumprir a lei, algumas equipes da Serie A passaram a estampar marcas ligadas aos mesmos grupos empresariais, mas focadas em conteúdo, entretenimento e informação esportiva.
A Inter de Milão exibe a Betsson Sport, classificada como uma plataforma de infotenimento. A Roma adotou a Eurobet.live, voltada a podcasts, estatísticas e resultados. Já o Monza firmou acordo com a DAZN Bet Club para a temporada 2026/27, apresentando a parceria como uma iniciativa voltada ao relacionamento com os torcedores.
Na Espanha, o veto aos patrocínios de bets em uniformes vigora desde 2020. Para a temporada 2026/27, o setor financeiro destaca-se como o principal patrocinador máster nas duas principais divisões do país, com presença em cinco clubes.
Entre os exemplos de destaque na elite espanhola estão o Athletic Bilbao, patrocinado pelo Kutxabank; a Real Sociedad, com a Baghdadi Capital; o Real Madrid, com a Emirates; o Barcelona, com o Spotify; e o Rayo Vallecano, que exibe a marca Digi no espaço principal da camisa.
Atualmente, 14 das 20 equipes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro contam com patrocínios máster de casas de apostas, com acordos que superam R$ 100 milhões anuais no caso de Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Corinthians.
Diante da exigência legal e do prazo até 5 de outubro, o Santos adotou uma postura pioneira ao suspender o vínculo com a Novibet. O clube retirou a marca da camisa e de ações publicitárias, mas optou por manter a parceria suspensa enquanto aguarda os desdobramentos regulatórios.
