A chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) ao cenário nacional tem impulsionado transformações profundas na captação e no desenvolvimento de jovens talentos. Com aportes voltados tanto para a infraestrutura quanto para o suporte multidisciplinar, equipes de diferentes divisões reestruturam suas categorias de base para fortalecer o ambiente formativo.
Em fevereiro de 2026, a CBF instituiu um grupo de trabalho focado em debater melhorias e garantir a sustentabilidade dos clubes formadores, amparando jovens talentos após um recorde histórico de R$ 3,9 bilhões em transferências. Paralelamente, a aprovação de uma redução gradual no limite de estrangeiros no Campeonato Brasileiro visa abrir espaço para atletas nacionais sub-23 até 2030.
No Mato Grosso, o Cuiabá investe mensalmente cerca de R$ 800 mil na base, cobrindo folha salarial, auxílios, logística, manutenção e tecnologia. O clube conta com o CT Manoel Dresch, inaugurado em 2024 após aportes de R$ 50 milhões, além de um campo sintético certificado pela Fifa Quality Pro que custou cerca de R$ 5 milhões. Softwares de desempenho e sistemas de GPS também integram a rotina de monitoramento físico.
Na parte social e educacional, o clube executou entre 2025 e abril de 2026 o projeto Centro de Formação de Atletas do Cuiabá Esporte Clube, viabilizado pela Lei de Incentivo ao Esporte com R$ 941,8 mil. A ação atendeu mais de 50 adolescentes das categorias Sub-15 e Sub-17. Segundo o presidente Cristiano Dresch, a estrutura qualificada amplia as possibilidades de evolução pessoal e profissional dos jovens.
Em São Paulo, o Juventus da Mooca aprovou sua SAF em outubro de 2025, prevendo R$ 60 milhões em infraestrutura e até R$ 480 milhões para o futebol em dez anos. O plano engloba melhorias na Rua Javari, no centro de treinamento e nos alojamentos, além de parcerias educacionais. Conforme aponta o diretor executivo Arthur Fraga, o foco é construir um ambiente multidisciplinar para além dos gramados.
Em Ribeirão Preto, o Botafogo-SP priorizou a base por meio de sua SAF ao inaugurar a primeira etapa da Botafogo Academy em março de 2026, com aporte inicial de R$ 25 milhões dentro de um projeto global de R$ 40 milhões. O local reúne campos, academia, alojamento e um estádio para 3 mil pessoas. O clube também renovou o Certificado de Clube Formador da CBF, assegurando suporte médico, psicológico e educacional.
Especialistas apontam que a gestão profissionalizada das SAFs enxerga a base não apenas como celeiro técnico, mas como pilar financeiro e estratégico. Com aportes em tecnologia, saúde e educação, as equipes estruturam um modelo de longo prazo que prepara os atletas para os desafios da carreira e para a vida fora do esporte.
